sexta-feira, 29 de abril de 2011

Opinião:


A DISTINÇÃO ENTRE PRÍNCIPE E PLEBEU

Miséria. Fonte: luzparaviver.blogspot.com


José Aristides da Silva Gamito*

A filosofia é definida como um olhar para além do óbvio, do banal, do imediatamente dado. Esta semana enquanto o mundo todo se emociona com o casamento do príncipe William com a plebeia Kate, nós vamos lançar um olhar mais profundo sobre a questão: De onde vem a distinção entre príncipe e plebeu? Esta é a tarefa da filosofia. O filósofo francês Jean-Jacques Rousseau (1717-1778) escreveu uma obra bastante sugestiva para esta nossa conversa o “Discurso sobre a Origem e Fundamentos da Desigualdade entre Homens”.
Segundo o filósofo o homem em seu estado de natureza deseja somente o necessário e não tem pretensões sociais. Somente a razão lhe deu a dimensão do social, dos costumes, das riquezas e da cultura. Isso significa que a diferença entre ricos e pobres se deu justamente quando o homem começa a acumular riquezas, procura os bens além de sua necessidade cotidiana e natural.
Rousseau admite uma desigualdade natural entre as pessoas como idade, sexo, constituição física. Ela é normal e até inevitável! O que incomoda é a desigualdade que surge das relações sociais e políticas. Com o alcance da razão o homem gerou uma complexidade para a sua vida, uma organização extrema. Assim surge a divisão do trabalho, a competição, a desigualdade.
O surgimento da propriedade privada gera a divisão entre ricos e pobres, o surgimento do governo separa as pessoas entre governantes e governados e o surgimento de estados despóticos trouxe a divisão entre senhores e escravos. Em síntese, quando o homem cria ambições de poder, de domínio, de reter bens e benefícios além de suas necessidades naturais dá-se a desigualdade.
As sociedades se tornaram tão complexas que a igualdade social veio a ser uma utopia. Discursamos, sonhamos, mas a superação do egoísmo coletivo está distante da realidade.  Se formos falar francamente diremos que os discursos religiosos e políticos sobre a igualdade são hipócritas! Eles nos enchem de esperança, mas ao mesmo tempo nos decepcionam porque uma grande maioria beneficiada vive como se não existissem pobres e excluídos.
 A história da administração e da divisão do trabalho entre os povos nos mostra muitos motivos para a extraordinária distinção entre príncipes e plebeus. Será a desigualdade reversível? Esta talvez seja a reflexão que devemos fazer a cada 1º de maio. Uma reflexão que nos leve a ações que superem, em parte, a desigualdade entre nós.

           
*Bacharel em Filosofia e especialista em Docência do Ensino Básico e Superior.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Brasil:

QUE LÍNGUAS SÃO FALADAS NO BRASIL?

Fonte da Gravura: http://vida-de-indio.blogspot.com

De modo geral, nós dizemos que no Brasil se fala português. Porém, quando fazemos tal afirmação estamos ignorando as minorias. A língua portuguesa é o idioma nacional. Mas dentro do país se falam muitas línguas. Primeiramente, temos as línguas nativas. São faladas atualmente 180 línguas indígenas no Brasil. Somente 11 línguas possuem mais de 5.000 falantes que o baniwa, guajajara, kaingang, makuxi, kayapó, sateré mawé, terena, ticuna, xavante, yanomami e guarani. As demais línguas correm risco de extinção. Cerca de 110 delas têm menos de 400 falantes.
Há ainda as línguas estrangeiras faladas por comunidades de imigrantes. São famílias bilíngues. Há as línguas de imigrantes que se desenvolveram e se tornaram dialetos brasileiros como o talian, o riograndenser hunsrückisch e o pomerano. Um fenômeno interessante! Segundo a Wikipédia:
“O talian (ou dialeto vêneto) é uma variante da língua vêneta (língua do norte da Itália) falada na região da Serra Gaúcha, no estado do Rio Grande do Sul, no Vale do Itajaí e no oeste e sul de Santa Catarina, na Região Sul do Brasil.” Falantes: 500.000.
“O Hunsrückisch ou Riograndenser Hunsrückisch ("hunsriqueano riograndense") é um dialeto alemão falado na região do Hunsrück no sudoeste da Alemanha e nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, no Brasil. Vale notar que existem vários dialetos similares em regiões vizinhas na Alemanha, do Mosel ao Franco-renano.” Falantes: 200.000.
“O pomerano (Pommersch, Pommerschplatt ou Pommeranisch) é uma variedade do baixo-alemão falada em várias regiões do Brasil, especialmente nos estados meridionais e no estado do Espírito Santo”. Falantes: 150.000.
Existem ainda as línguas de quilombolas com a gira de tabatinga, cupópia e calunga. São falas de origem africana, de proveniência banto.
Por fim, o Brasil é multicultural e o português não é único. Existem muitas variedades, sotaques e dialetos. O nosso país é muito diversificado, enxergá-lo de um único modo é muito empobrecedor!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Páscoa:

PÁSCOA: UM SALTO DE QUALIDADE


José Aristides da Silva Gamito*

Com o advento do capitalismo todas as festas cristãs se tornaram ocasiões propícias para boas vendas. Os comerciais de TV se aproveitam da poesia religiosa para sensibilizar clientes e estimulá-los ao consumismo. O Natal e a Páscoa, as duas maiores festividades cristãs, hoje são meramente feriados e épocas campeãs de vendas.
Se formos pesquisar sobre a história que está por trás da Páscoa, iremos descobrir uma enorme riqueza de simbolismos e de experiências. Esta festa teve origem camponesa no Antigo Oriente, ampliou o seu significado por ocasião da libertação do povo israelita da escravidão no Egito e ocorreu há 3.500 anos. A partir de então, todos os anos os hebreus passaram a celebrá-la para agradecer a Yahweh por essa realização. A partir do século I d. C., os cristãos acrescentaram o motivo da ressurreição de Cristo.
Os judeus continuam no mundo inteiro celebrando a Páscoa todos os anos e muitos acrescentam hoje aos motivos da celebração o sofrimento do Holocausto. A festa judaica é chamada de Sêder de Pêssach, ou seja, “Ordem da Páscoa”. O sentido fundamental da Páscoa é o de uma ocasião de superação de obstáculos, de modo coletivo e individual. A palavra hebraica Pêssach significa “saltar, passar por cima”. Este sentido engloba tanto o renascimento das pastagens para os antigos pastores quanto a libertação dos israelitas. E também a ressurreição de Cristo para os cristãos! Já o termo inglês para Páscoa, “Easter”, tem sua origem na festividade da deusa da primavera Eostre. É uma das tantas inculturações cristãs!
Portanto, celebrar a Páscoa, seja para cristãos, seja para judeus, significa rememorar, celebrar os obstáculos vencidos. É importante que cada um que conserva a tradição relembre que nem todos têm motivos alegres para comemorar, a gente também celebra em cima dos sofrimentos e das tragédias para que possamos superá-las, tirar lições para que elas não se repitam. Desejamos que nesta Páscoa de 2011 cristãos, judeus e a ateus, todos indistintamente possam superar seus obstáculos, e realizarem de verdade sua Páscoa como um salto de qualidade para uma vida melhor! Boa Páscoa a todos!

*Bacharel em Filosofia e pós-graduado em Docência do Ensino Básico e Superior.

Curiosidade:

COMO SE DIZ “FELIZ PÁSCOA” EM OUTRAS LÍNGUAS



Alemão:
SCHÖNE OSTERN

Árabe:
EID-FOSS'H MUBARAK

Chinês:
FOUAI HWO GIE QUAI LE

Croata:
SRETUN USKRS

Espanhol:
FELICES PASCUAS

Grego:
KALO PASKA

Holandês:
Gelukkig Paasfest

Húngaro:
Boldog Husveti Ünnepeket

Inglês:
HAPPY EASTER

Italiano:
BUONA PASQUA

Macedônio:
SREKEN VELIGDEN

Norueguês:
GOD PÅSKE

Turco:
MUTLO (ELLER HOS) PASKALYA

Polonês:
WESOLYCH SWIAT


Português:
FELIZ PÁSCOA

Romeno:
PAŞTE FERICIT

Sueco:
GLAD PÅSK

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Fanatismo:

O CARÁTER SAGRADO DA VIDA HUMANA

José Aristides da Silva Gamito

            Na manhã desta quinta-feira, dia 7 de abril, o país inteiro se comoveu com o massacre na Escola Municipal Tasso de Oliveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. Este crime bárbaro e intolerável foi executado por Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, ex-aluno da escola. Cada vez mais, as escolas se tornam espaços de insegurança e de deseducação. Os sobreviventes de uma tragédia como essa não têm como ter uma visão positiva do ambiente escolar. As ameaças à educação vêm tanto do meio interno quanto externo.
            Desde muito tempo, os educadores vêm debatendo sobre a violência no ambiente escolar. Em muitas unidades, há agressões contra professores, agressões de alunos contra alunos. Assim como há as agressões advindas de indivíduos externos à escola. Todos já perceberam que os bancos possuem seguranças para impedir assaltos e prejuízos, mas até hoje o Estado ainda não acordou para a obrigatoriedade da segurança nas escolas. Será que os bens econômicos são mais valiosos do que nossas crianças? Os tempos mudaram. Não podemos mais esperar que qualquer funcionário da escola resolva conflitos dentro do educandário.
É urgente! E esperamos que o massacre desta semana possa sensibilizar as autoridades para criarem de forma obrigatória em todo o território nacional o cargo de Segurança Escolar. Os pais e toda a sociedade civil precisam começar cobrar esta mudança. Os alunos não podem mais frequentar um espaço tão vulnerável à violência e à criminalidade. A escola parece ainda ser encarada como um ambiente inocente! Isento de qualquer mal. Isso não é verdade! O ser humano perdeu tanto a noção do caráter sagrado da vida que não há mais classe ou faixa etária que esteja isenta da crueldade de sua insanidade. Precisamos de uma mobilização nacional já pela criação da função de Segurança Escolar! Que situação semelhante à do Rio jamais se repita!

*Bacharel em Filosofia e especialista em Docência do Ensino Básico e Superior.

Ecologia:


ÁGUA, UM BEM AMEAÇADO DE EXTINÇÃO?

José Aristides da Silva Gamito

Há um século ou menos se disséssemos a um cidadão que a água potável era um bem finito, ele simplesmente riria de nós. Somente em tempos de debates ecológicos que chegamos a essa conclusão tão necessária à nossa sobrevivência. Segundo um recente estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), em 2050, 1 bilhão de pessoas não terão água. Apesar da ampla divulgação da situação da água no planeta, muita gente ainda não se deu conta desse fato de modo convincente.
Muitas cidades de rápido crescimento no mundo enfrentarão escassez de água. Se a tendência de urbanização continuar nesse ritmo, este 1 bilhão de pessoas viverá apenas com menos de 100 litros diários da água cada uma. Isso representa o mínimo para viver. As cidades indianas representam essa situação de escassez de maneira mais grave. As populações rurais estão migrando e superpovoando as cidades na Índia e na China. Situação semelhante acontecerá em algumas regiões da África.
Os principais fatores que causam impacto no abastecimento de água atualmente são o crescimento explosivo da população urbana, a industrialização e as mudanças climáticas. Esses fatores exigem uma atenção redobrada nas próximas décadas. Caso contrário, o acesso à água vai se tornar até motivo de guerras.
            Não pensemos nós que a situação levantada pelo estudo citado acima é uma realidade apenas de outros países.  A responsabilidade de evitar o consumo excessivo e o desperdício cabe a todos os brasileiros, todo cidadão, seja de Manhuaçu, seja de outra região. Para se ter uma ideia mais exata do consumo da água, o cientista holandês Arjen Hoekstra criou a Pegada Hídrica. É um indicador que mede o uso direto e indireto da água no processo de produção e de consumo de um bem. Por exemplo, para comer uma maçã, em média foram gastos 70 litros de água.
Às vezes prestamos atenção no consumo de água de forma isolada. Se nós vivemos em sociedade, então, esse consumo acontece em cadeia. E se não houver um esforço coletivo não será possível moderar o gasto de água. Existem muitas atitudes que podemos tomar para evitar a “extinção” desse bem tão precioso. Isso depende de cada cidadão, mas também do empenho do Estado através de políticas ecológicas e de uma economia sustentável.

*Bacharel em Filosofia e especialista em Docência do Ensino Básico e Superior.