quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Projeto fracassado ou em construção?


Fome na África: Um desafio ético para a humanidade.


O CRISTIANISMO ENTENDIDO COMO UM PROJETO FRACASSADO

José Aristides da Silva Gamito*

O assunto que iremos discutir pode causar um mal estar às pessoas de fé. Queremos responder a seguinte questão: “Será que a sublimidade do ideal cristão conseguiu se concretizar na prática de modo satisfatório e convincente?” Os princípios fundamentais do cristianismo propõem uma revolução de mentalidade e mudança das relações individualistas em relações fraternas. Sem dúvida, muitas personalidades na história incorporaram este ideal.
Mas se formos analisar bem o cristianismo como um projeto ético e político aplicado às sociedades, perceberemos que ele não se concretizou à altura do que se propõe. Primeiramente, basta olhar para a história para vermos as atrocidades cometidas em nome dele. Segundo, o cristianismo foi fragilizado pelo poder do capitalismo. A sociedade capitalista altamente competitiva e marginalizadora se encontra na contramão da solidariedade cristã.
Atualmente morrem 24 mil pessoas no mundo por causa da fome. Com as novas políticas internacionais da ONU, há previsão de que até 2020 o problema seja amenizado ou sanado nos continentes, exceto na África que tem a previsão de ter até lá 24 milhões de crianças subnutridas.  O problema da fome e da desigualdade social são problemas claramente políticos e dependem da boa vontade dos mais ricos. O que agrava a situação é que os países que podem reverter o quadro são majoritariamente cristãos, se não são, se baseiam em princípios herdados do cristianismo, como os ideais iluministas.
Se pensarmos de modo local, veremos o problema se repetindo em escala menor. Nas pequenas e médias cidades brasileiras, encontramos um número majoritário de cristãos declarados. Mas nesses lugares há distinção entre centro e periferia, existem pessoas que têm duas ou três casas, ao lado de pessoas que vivem de aluguel. Muitos têm de sobra enquanto outros passam por necessidades. O mais irônico é que essas classes opostas se encontram nas igrejas e compartilham os mesmos ideais.
Há conivência com o mal social entre opressores e oprimidos. O grande escândalo do cristianismo são pecados contra a unidade e igualdade. Os cristãos se dividem em diversas igrejas, em diversas classes e partidos. Eles pregam a fraternidade, mas vivem se estranhando na sociedade. Não negamos o ideal e nem a prática de algumas pessoas. Mas, enquanto um projeto totalizante, podemos entendê-lo como fracassado e incapaz de convencer pessoas.

0 comentários: