segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Per sora nostra morte

 


PER SORA NOSTRA MORTE- A morte é o nosso maior medo e também a nossa maior certeza. Francisco de Assis assim a retratou no Cântico das Criaturas: “Louvado sejas, meu Senhor, /Por nossa irmã a Morte corporal, /Da qual homem algum pode escapar.” Nenhuma outra experiência se compara a essa! Ter um dia dedicado à memória dos mortos é fundamental. Isso cobre uma necessidade básica do ser: a vontade de perpetuar. Já que não podemos permanecer nesta vida para sempre, então, criamos ritos para valorizar aqueles que partiram. Quando for a nossa vez, outros vão se lembrar de nós. Deste modo, nossa memória perpetua. Várias culturas antigas se dedicavam à celebração dos mortos. Apesar de algumas resistências no seio do cristianismo, o culto da memória dos mortos permaneceu. Muitos cristãos contribuíram para um apagamento parcial desses costumes porque pensavam que relembrar os mortos era um rito pagão de evocação dos mortos. Há diferentes formas de celebrar a vida através da memória dos mortos. A forma propagada pelo cinema estadunidense em torno do Halloween criou uma estética mórbida das memórias dos mortos. A estética estereotipada do Halloween nos apresenta a morte como um terror que pode ser banalizado. O costume, mais fortemente cultivado pelo catolicismo, procura reverenciar a morte e fazer memória dos que partiram enfatizando a saudade, as boas lembranças. É uma estética da esperança.  É uma representação da morte que pode ser saudável. E precisamos recuperar a reverência à morte, temos enfraquecidos os ritos em torno da morte. Por exemplo, o velório tornou-se uma correria, um empecilho na vida da sociedade capitalista. Evitamos o envelhecimento e tratamos a morte como estatística. Enfim, dia 02 de novembro é um dia de reflexão sobre a nossa condição de finitude e como fruto desse exercício, nós esperamos a humildade como virtude a ser cultivada!

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