domingo, 10 de abril de 2016

História Regional II



ENSAIO DE RECONSTITUIÇÃO DA BIOGRAFIA 
DE JOSÉ PEDRO DE ALCÂNTARA E 
MANOEL FRANCISCO DE PAULA CUNHA

         Manoel Francisco de Paula Cunha é identificado como um desertor da Guarda Nacional que participou da Revolução Liberal de 1842 que aparece como um dos primeiros desbravadores das terras de Conceição de Ipanema[6].
         Nome semelhante aparece ligado à história de Manhumirim em 1865. Este Manoel Francisco é conhecido como um português desertor da Guerra do Paraguai e que esteve vinculado à fundação de Manhumirim.[7] Ele teria vivido em Iúna (ES) também juntamente com outra típica figura vinculada à história de Conceição de Ipanema, de Ipanema e de Taparuba, José Pedro de Alcântara. Eles seriam originários do Serro. Derrotados na Revolução Liberal tiveram de abandonar suas terras.[8]
         Tem-se notícia de que em 1816 foi construída uma estrada para ligar o Espírito Santo a Minas Gerais. A estrada ficou conhecida por Estrada São Pedro de Alcântara.[9] Com fim do ciclo do ouro, houve uma expansão para o leste de Minas com o propósito de povoamento. A citada Revolução Liberal de 1842 obrigou muitos ex-combatentes a migrarem para a região. Certamente, essas condições trouxeram os primeiros desbravadores da região de Conceição de Ipanema, Ipanema e região.


[1]IBGE:  http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?codmun=314400
[2] WIKPÉDIA: https://pt.wikipedia.org/wiki/Caputira
[3] BRASIL: Coleção de Leis do Império do Brasil - 1872, Página 577 Vol. 2 pt. I (Publicação Original).
[4] http://www.jornaldebolso.com/mun_ipanema.php
[5] https://pt.wikipedia.org/wiki/Concei%C3%A7%C3%A3o_de_Ipanema
[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/Concei%C3%A7%C3%A3o_de_Ipanema
[7] http://www.manhumirim.mg.gov.br/Materia_especifica/6532/Historia-de-Manhumirim
[8] http://www.iuna.es.gov.br/pagina/colonizadores.html
[9] http://turhotelitalia.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=55&Itemid=59

sábado, 9 de abril de 2016

História Regional



ENSAIO DE RECONSTITUIÇÃO DA BIOGRAFIA DE
 FRANCISCO IGNÁCIO FERNANDES LEÃO

         Francisco Ignácio Fernandes Leão aparece como fundador de várias cidades do leste mineiro. Cabe nos perguntar: Quem foi essa figura?  Em 1860, o governador da Província de Minas Gerais doou terras ao alferes Fernandes Leão. Alferes era a primeira patente de oficial do Exército brasileiro.
         Em Mutum, tem-se notícia de sua chegada a 17 de junho de 1864 e da denominação do local em homenagem a São Manuel[1]. O seu nome está ligado também às origens de Caputira[2].
         O alferes certamente gozava de boa reputação no Império, pois, a 10 de julho de 1870, dom Pedro II concedeu-lhe o direito de navegar o Rio Doce através do decreto 5.007. Dividiu tal concessão com José Torquato Fernandes Leão, provavelmente, um irmão ou parente próximo.[3]
         Fernandes Leão recebeu todas as terras de doação do Imperador por serviços prestados ao Exército[4]. O alferes fundaria uma fazenda no local onde mais tarde formaria o povoado de Conceição do José Pedro[5].
         A presença de Fernandes Leão na história regional se insere no período de ocupação dos sertões do leste, região que compreendia a Zona da Mata e parte do Rio Doce. Essa região começou a ser ocupada na segunda metade do século XVIII e início do século XIX.


[1]IBGE:  http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?codmun=314400
[2] WIKPÉDIA: https://pt.wikipedia.org/wiki/Caputira
[3] BRASIL: Coleção de Leis do Império do Brasil - 1872, Página 577 Vol. 2 pt. I (Publicação Original).
[4] http://www.jornaldebolso.com/mun_ipanema.php
[5] https://pt.wikipedia.org/wiki/Concei%C3%A7%C3%A3o_de_Ipanema

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Violência religiosa


 

CHARLIE HEBDO E O DEUS CAÇADOR DE INFIÉIS

O número do jornal francês Charlie Hebdo de janeiro de 2016 em memória dos atentados contra os cartunistas do semanário no ano passado traz uma charge provocativa na capa: O desenho de um deus armado com os dizeres “Um ano depois: o assassino continua solto”. Esse tipo de humor satírico com a religião provoca rejeição por parte da comunidade religiosa. Todos se sentem ofendidos. É claro! Liberdade de expressão tem limites. Criticar o fanatismo religioso deveria ser diferente de ofender o sentimento religioso das pessoas.
Porém, proponho uma reflexão sobre esse sentimento de indignação diante da violência por motivos religiosos. O erro das religiões, principalmente das monoteístas, é racionalizar, rotular deus demais. É um deus que não ri, não faz humor, porém, manda fazer guerra, manda extorquir o dízimo do pobre. Que grande contradição!  As pessoas dizem que com Deus não se brinca. É verdade! Mais grave do que brincar é matar, controlar a liberdade, manipular o conhecimento da realidade, agir desonestamente para tirar o dinheiro das pessoas.
Temos de ter cuidado com o zelo religioso. O zelo em excesso vira vício, e nesse caso da religião, esse vício é o radicalismo. Todos os monoteísmos tiveram ou têm suas fases e vertentes fundamentalistas. No Brasil, nós nos orgulhamos de não ter violência religiosa, mas isso não está se mostrando verdadeiro. Algumas ramificações cristãs de orientação pentecostal têm promovido claramente a discriminação de religiões afrobrasileiras. Um grande patrocinador do radicalismo é a ignorância quanto menos se conhece a religião alheia mais preconceito se tem dela.
Outro fator que alimenta o fanatismo é uma ideia única de verdade. O fiel se prende na visão de mundo de sua religião, com as cores de suas lentes pinta a realidade. Ele julga a cosmovisão alheia, mas nunca a experimentou, nunca admitiu que o mundo é plural. Creio que o verdadeiro zelo pela religião levaria o fiel a abrir mão de alguns princípios religiosos para poder praticar o amor ao próximo e o respeito a Deus. Precisamos desbanalizar o nome de Deus, tornar-nos menos intérpretes de sua vontade. As religiões têm se mostrado péssimas intérpretes da vontade de Deus. E nos convencer que o respeito ao próximo está acima de nossas ideias de estimação.

Se Charlie Hebdo está certo? Não vou julgar o mérito. Mas que as religiões deveriam refletir sobre essa situação, deveriam seriamente. Não é legítimo promover a religião pela violência física e nem pela violência psíquica/social como fazem as instituições religiosas ocidentais.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Latim



A DIFUSÃO DA LÍNGUA LATINA NA ATUALIDADE

José Aristides da Silva Gamito

            Com a retirada no latim da grade curricular da educação básica em 1961, a maioria absoluta da população escolarizada no Brasil perdeu totalmente o contato com a língua.  Propor hoje o ensino do latim para as gerações mais jovens é um desafio. A primeira pergunta que normalmente aparece é: Onde se fala latim? Se disser que é uma língua morta haverá mais resistência ainda. Mas o latim pode ser considerado uma língua morta?
            Na verdade, o latim não é mais uma língua nacional com falantes nativos que o pratiquem no cotidiano. Porém, temos de considerar que é uma língua atuante e bem difundida, possuindo literatura contemporânea e uso em algumas agremiações e mídias. Além de ser a base de toda a cultura ocidental juntamente com a língua grega.
            O português provém do latim, toda a nossa estrutura lingüística e terminologias são latinas. Estudar o latim é compreender a nossa cultura, a contribuição européia para a formação da identidade nacional. Do mesmo modo que devemos conhecer tupi para aprofundar a nossa base genuinamente brasileira. Assim como não posso deixar de mencionar a contribuição africana com suas línguas e que  são pouco divulgadas.

Uso na Igreja Católica
            Durante muitos séculos o latim foi a língua litúrgica do rito romano. Conservou-se também a tradição de redigir nessa língua todos os documentos oficiais da Igreja. As inscrições nos templos, o canto, as solenidades todas eram realizadas em latim. Por isso, era e continua sendo disciplina obrigatória nos seminários e mosteiros.
            O Concílio Vaticano II liberou as celebrações litúrgicas nas línguas nacionais, mas o latim continua sendo a língua oficial do Vaticano e possui uma academia específica, a Opus Fundatum Latinitas. Esta instituição promove a língua através de publicações, concursos e diversas oportunidades de prática. Dentre suas ações está Certamen Vaticanum, um concurso que premia produções literárias em latim. Para orientar o uso contemporâneo da língua a instituição editou o Lexicon Latinitatis Recentis, um dicionário de neologismos latinos úteis para expressar coisas que não existiam no período clássico romano.
            Em Roma, existe também a Accademia Vivarium Novum fundado pelo latinista Luigi Miraglia que ensina, difunde e usa a língua.

Uso do latim nas ciências naturais e humanas
            A nomenclatura científica é tradicionalmente escrita utilizando palavras latinas ou latinizadas. A compreensão de textos científicos e jurídicos depende de uma noção prévia da língua latina assim como da grega. O meio jurídico se utiliza muito de expressões latinas.

Uso nas mídias atuais
            Na Finlândia, existe a Radiophonia Finnica Generalis que veicula notícias em latim pela rádio Yle.  Na música, encontramos desde as canções tradicionais até versões de músicas atuais, inclusive rap em latim. O coral Tyrtarion gravou muitas adaptações musicais de textos clássicos. O músico Keith Massey criou versões latinas de canções natalinas.
            Na literatura, existem as publicações oficiais do Vaticano, traduções de diversos latinistas pelo mundo afora. As revistas Aduléscens e Iúvenis são duas publicações em latim dirigidas ao público jovem.
            Encontra-se o uso de latim até nas redes sociais, exemplo é o twitter oficial do papa @Pontifex_In. Além do crescente hábito dos estudantes de utilizarem as mídias sociais para aperfeiçoar o conhecimento da língua.

Ensino da língua latina
            No Brasil, além de cursos formais nos seminários e universidade são raros os cursos livres para o público em geral. Mas existem materiais didáticos disponíveis em livrarias e na internet suficientes para aprender a língua. O mais famoso é o curso Latina per se Illustrata que tem como principal atração ser um ensino autointuitivo. O método de Orberg baseia-se na aprendizagem natural da língua. A editora Assimil prima pelo ensino do latim a partir de situações contemporâneas. A grande vantagem de se aprender a língua atualmente é seu ensino inovador como língua viva.

Usuários da língua latina
            Embora, não temos notícia de falantes nativos, mas podemos falar de falantes fluentes da língua como padre Reginald Foster (ex-tradutor oficial do Vaticano), o italiano Lugi Miraglia, o espanhol Álvaro Sanchez-Ostiz. São professores que dominam a língua e se propuserem a oferecer cursos atraentes que ensinassem a língua como viva. Portanto, há muitas motivações para aprender latim sem aquelas metodologias tradicionais e pesadas.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Tradução Latina



PRO VOCATIÓNIBUS ORÁTIO

Dómine messis et Pastor gregis, invitaméntum tuum forte et suave in áuribus nostris resonáre fac: “Veni et séquere me!”
Spíritum tuum nobis infunde, ut sapiéntiam ad viam vidéndam atque magninimitátem ad vocem tuam sequéndam nobis det.
Dómine, propter opíficum penúria, messis non perdatur.
Communitátis nostras ad missionem excita. Vitam nostram servítium esse doce.
Quos, Regno se totum dare volunt in  consecrata et religiosa vita, róbora.
Dómine, propter pastórum penúriam, gregis ne péreat.
Fidelitátem episcopórum, praesbyterórum minstrórumque sústine. Seminarístis nostris perseverántiam concede.
Iúvenum nostrórum corda, ad pastorale Ecclésiae tuae ministérium, éxcita.
Dómine messis et Pastor gregis, ad pópuli tui servítium voca nos.
Maria, Mater Ecclesiae, ministrórum Evangélii protótypa, ad respondendum “Fiat” nos ádjuva. Ámen.

Tradução da Oração Vocacional (CNBB – 1983). Tradução de José Aristides da Silva Gamito (2001) e Reginaldo Fernandes (2015). Revisão: Mons. Raul Motta de Oliveira.


 Publicado em: MOTTA DE OLIVEIRA, Dóminus Radulphus. Celebratio Eucharistica in Solemnitate Jesu Christi universórum Regis. Ubaporangae: Dioecesis Caratingensis, 2015.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Onomástica

REGASTE DOS SOBRENOMES ORIGINAIS: UM DESAFIO DAS FAMÍLAS DE IMIGRANTES

Introdução
Desde que cheguei a Conceição de Ipanema (MG) o que mais me chamou a atenção foi a quantidade de descendentes de alemães, espanhóis e italianos que existem no município. Como sempre gostei de aprender línguas e ler sobre onomástica, decidi a enumerar os sobrenomes, seus significados e suas histórias. Já escrevi neste blog sobre muitos deles.
Hoje em conversa com um membro da família Louback no facebook, resolvi pesquisar sobre esse sobrenome, o que constatei é que muitas famílias perderam a grafia e a pronúncia original de seus sobrenomes. Louback não é Louback!

A grafia original de Louback
Louback é uma grafia estranha ao alemão porque apresentam combinações vocálicas e consonantais inexistentes ou raras na língua. Segundo o blog “História de Friburgo”[1] a outra grafia deste nome é Laubach. Este, sim, tem características da língua alemã! Portanto, insisto na tese de que a grafia original de Loback é algo como Laubach.
Armindo L. Muller corrobora essa tese ao afirmar: “Só para citar alguns exemplos: Gradwohl virou Gratival; Bröder virou Breder, Gundacker se transformou em Condack; Schwab foi alterado para Schuabb; Laubach é hoje Louback e assim por diante.”[2] O site Hermsdorff concorda.[3]
Se pesquisarmos sobre Laubach, o site House of Names[4] diz que Lauch significa “padeiro”, uma forma medieval. A família surgiu na região da Baixa Saxônia.
Segundo os autores do site, o sobrenome tem muitas variações como Leiber e Leibnitz. Os primeiros registros se encontram nos nomes de Hans Laybel (Nickolsberg, 1414) e de Peter Loeubling (Reutlingen, 1390).
No Brasil, há informações de que a família Laubach, hoje Louback, entrou no país através de Nova Friburgo através de Johannes Werner Laubach por volta de 1779.[5]
____
Pronúncia: Laubach soa ˈlaʊbax.




[1] http://historiadefriburgo.blogspot.com.br/2011/04/chegada-dos-colonos-vila-de-nova.html
[2] http://www.djoaovi.com.br/index.php?cmd=section:imigrantes_alemaes
[3] http://www.hermsdorff.net/site/index.php/artigos/historias-e-antepassados/18-hermsdorff-grafia-e-significado-do-nome
[4] https://www.houseofnames.com/laubach-family-crest
[5] http://emmerich-afe.org/wp-content/uploads/2012/07/Os_alemaes_pioneiros_Nova_Friburgo.pdf