quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Poder e Misericórida II

VATICANO: EVANGELHO E DISPUTA DE PODER


         O Sínodo dos Bispos que acontece em outubro de 2015 teve de conviver com três situações embaraçosas: A declaração do padre polonês Krszytof Charamsa, a carta dos 13 cardeais e a notícia falsa de que o papa teria um tumor no cérebro.
         Como o sínodo trataria de questões fundamentais sobre a família nos tempos atuais, parece que houve algumas tentativas de intimidação contra o papa Francisco e aqueles bispos que defendem uma acolhida mais misericordiosa aos fiéis católicos.
         O que mais nos impressiona é como alguns ministros da Igreja conseguem conciliar os valores de fraternidade, de gratuidade, de misericórdia, tão caros ao Evangelho com uma disputa de poder tão desleal. Tentar impor ideias ou defender doutrinas faltando com a caridade evangélica é muito contraditório, pouco humano, menos cidadão e nada cristão.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Poder e Misericórdia

AS MANOBRAS DOS CLÉRIGOS CONSERVADORES: O ESCÂNDALO CONTRA A MISERICÓRDIA EVANGÉLICA

Crédito: Corriere della Sera.
Os esforços do papa Francisco e a tarefa do Sínodo dos Bispos de outubro de 2015 que deveriam trazer mudanças significativas para a atuação pastoral da Igreja parecem se perder. Segundo o jornal italiano Corriere della Sera um novo Vatileaks tenta desestabilizar o pontificado de Francisco.
Uma carta reservada ao papa foi publicada nessa segunda-feira, 12 de outubro, pelo vaticanista Sandro Magister. Esse é o ponto de partida que nos faz acreditar que as velhas teorias conspiratórias no Vaticano existem. Na carta, 13 cardeais conservadores questionam as intenções do Sínodo e afirmam que a comunhão dos recasados é inegociável.
Porém, para piorar a carta parece ter sido alterada e a intenção de divulgá-la é passar a imagem de que o Sínodo é guerra de ideologias. Os autores dessas jogadas empobrecem a imagem da Igreja. Ultimamente, o papa tem insistido tanto na misericórdia, mas em torno da cúpula da Igreja se vê são disputas de poder, manobras politiqueiras. Os próprios bispos conservadores se fecham à misericórdia evangélica na tentativa preservar doutrinas equivocadas historicamente.
Toda doutrina por mais que tenha sido difundida há séculos, mas se contraria o espírito do Evangelho precisa ser superada. Mas parece que para muitos clérigos é mais importante preservar a estrutura a todo custo do que se abrir à acolhida do ser humano.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Teologia e a fé do Próximo



TEÓLOGOS AGNÓSTICOS: A REFLEXÃO TEOLÓGICA
 SOBRE A FÉ ALHEIA

José Aristides da Silva Gamito*
1.   Introdução

A presente reflexão foi provocada por debates entre amigos sobre uma nova realidade em torno da teologia: As pessoas que estudam teologia sem fé.  A princípio o assunto traz consigo uma grande polêmica: Como pode alguém que não tem fé estudar teologia? Primeiramente, temos de analisar as razões que levam as pessoas estudarem a teologia.
O objetivo tradicional do estudo da teologia são as exigências para o exercício dos ministérios na Igreja. Neste caso, é uma teologia instrumental. Atualmente, várias Igrejas evangélicas têm oferecidos inúmeros cursos que têm atraído muita gente, poderíamos dizer que a busca pela teologia está em alta. Há um mercado de cursos de teologia. Em um segundo grupo, encontram-se pessoas que cursam teologia depois da aposentadoria ou após uma estabilidade econômica com o intuito de entender a fé. Uma teologia existencial.
Aparece um terceiro e polêmico grupo: Os da teologia agnóstica. São pessoas que buscam entender a fé alheia ou a fé que não professam mais. Eles poderiam estudar Ciências da Religião ou outra área, mas preferem a teologia porque querem entender uma fé específica: A cristã. Eles procuram entender, criticar e levantar reflexões sobre a cosmovisão cristã. O exemplo mais conhecido na mídia é Bart Ehrmann.
Se formos criticar os três grupos todos teriam pontos frágeis: A instrumentalização da teologia como mera exigência para exercer o ministério poderia acusada de reducionismo, assim como a teologia com fins de consolação ou autocompreensão. Pesam sobre todos os grupos possibilidades de críticas.  Cada um faz teologia a partir de um lugar concreto. Neste caso, vamos analisar o grupo dos teólogos agnósticos. A designação ‘teólogos agnósticos’ é provisória.

  1. A teologia como compreensão da fé alheia


Para compreender este novo posicionamento há que se distinguir ‘teologia como compreensão da própria fé’ de ‘teologia como compreensão da fé alheia’. Enquanto o objetivo tradicional da teologia se volta mais aos interesses pessoais e institucionais, a nova tendência confere fins sociais ao estudo da teologia, mas distinguindo-a de sociologia da religião, de filosofia da religião e até mesmo de ciências da religião.
Já houve uma mudança pouco criticada e hoje comum dentro da teologia voltada aos ministérios. Muitos teólogos deixaram de teologar para as instituições e passaram a teologar para a sociedade como um todo são exemplos Leonardo Boff, Rubem Alves, Hans Küng e outros. Não são teólogos agnósticos, são teólogos não-institucionais ou não somente institucionais. Rotular é sempre problemático. Salientamos apenas que há mudanças no objetivo de se fazer teologia levando em conta as circunstâncias de tempo e de espaço. De antemão, deve se avisar que o resultado de formas diferentes de teologar em algum momento tenderá a ser classificado como heresia. São riscos que formas novas de teologar trazem com elas.

As condições para a elaboração teológica

            Em Santo Anselmo encontramos a exigência fides quaerens intelectum.  A teologia tem como base a racionalidade porque procura compreender racionalmente a fé que se situa além da razão. Os conteúdos da Revelação são a matéria e o ponto de partida da reflexão teológica. Portanto, vincula-se o ato de teologar à exigência de uma fé pessoal:

Necessariamente, por exigência epistemológica, o teólogo é homem de fé; sem ela, pode ser um estudioso da religião, fazer estudo da evolução das práticas, conhecimentos e comportamentos religiosos, estudo dos ritos e suas diferentes significações segundo as culturas, estudo dos comportamentos humanos derivados das afirmações religiosas, elaboração de teorias e afirmações sobre as influências psicológicas dos comportamentos religiosos, estudo da evolução dos estudos bíblicos ou assemelhados, mas não fará teologia. Nela a fé é uma exigência (MANZATTO, 2013).

              A afirmação mais comum que se pode encontrar sobre as exigências para estudar teologia é de ter uma fé pessoal.  Este é o lugar comum eclesial no qual o teólogo inicia sua reflexão. A postura dos teólogos agnósticos tende teologar partir de outros lugares vizinhos à fé. É importante observar que a postura dos teólogos acadêmicos não se difere muito dos agnósticos. Há diversas universidades com doutores em teologia que formatam sua função de teólogo como uma profissão. Neste sentido, poder-se-ia dizer que há também um reducionismo da tarefa da teologia. Agrava-se mais a questão ainda quando estes teólogos são presunçosos e totalmente distantes do universo comum das pessoas.
Em um primeiro momento, então, faz-se necessário afirmar que teologia é reflexão sobre a fé e não é profissão de fé. A segunda atitude seria reservada à liturgia. Isso não impede que a etapa última do processo de reflexão teológica seja orante como defendeu Karl Rahner.

REFERÊNCIAS
MANZATTO, Antônio. A Teologia na Universidade.
Disponível em:

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Crítica e Cristianismo

O EVANGELHO DA TERRA E DA COMPAIXÃO


Ao longo da história, identificamos um cristianismo muito legalista e carrancudo, justamente tudo ao contrário do que percebemos no Jesus dos Evangelhos. Muitas igrejas continuaram o Deus do Antigo Testamento. Creio que elas pensam que ele é mais prático, soluciona mais os problemas advindos da vaidade humana. Mas, vamos ser francos. O deus do Antigo Testamento é um deus tribal, troglodita, rude e vingativo. Jesus revela o rosto de um deus mais ameno, paciente e compassivo. Porém, pelo que a gente percebe muita gente não gosta disso. Há gente que prefere um deus arma, pronto para disparar contra os inimigos. É um deus à imagem e semelhança do homem.
Nos Evangelhos, percebemos dois aspectos essenciais da mensagem de Jesus: Terra e Compaixão. Primeiro, se encararmos o famoso Sermão da Montanha (Mt 5), perceberemos o foco de Jesus em torno de problemas humanos e da justiça sociais. Percebemos ali quem herdará a terra e que são justificados aqueles que têm sede e fome de justiça e aqueles que promovem a paz. A partir do versículo 38, Jesus fala sobre um amor incondicional, sobre uma relação desinteressada e chega a afirmar a necessidade de ‘amar os inimigos’.
A compaixão predomina no discurso de Jesus em seus diversos encontros com pessoas excluídas pela sociedade da época: Os leprosos, a mulher adúltera, a samaritana. O ápice é o perdão que ele concede aos seus malfeitores. Portanto, ser compassivo é constitutivo da personalidade e da mensagem de Jesus.

Em Mateus 25, 31-46, existe uma narrativa que parece a conclusão da pregação de Jesus. Em seu juízo final, as pessoas condenadas são aquelas que negaram direitos fundamentais do ser humano como o direito a comer e a beber, à hospedagem, à liberdade. Portanto, o Evangelho se refere a uma boa notícia para a Terra e para que nela aconteçam os direitos das pessoas e elas se amem mutuamente. Portanto, toda Igreja que se prenda a focos particulares, elitistas, egoístas e mesquinhos não representam o Jesus dos Evangelhos.

domingo, 9 de novembro de 2014

Reflexões sobre ateísmo

ATEOFOBIA. O QUE É ISSO?



Sou de família de tradição católica, tenho formação teológica, mas minha perspectiva religiosa é agnóstica. Não posso deixar de refletir sobre um tema muito importante e em alta na sociedade contemporânea: Ter ou não ter fé. Em tempos atrás, muitos católicos de boa índole faziam o sinal da cruz quando se pronunciava a palavra 'ateu'. Ou seja, ateu era sinônimo de diabo. Sempre as grandes religiões, mesmo nos momentos históricos de maiores imoralidades, insistiram em menosprezar os ateus. E muito mais, condená-los ao inferno, considerando a crença superior à descrença.
Mantenho-me sempre em diálogo com crentes e não-crentes. Mas é uma tarefa muito difícil convencer uma pessoa muito religiosa a respeitar um ateu ou um agnóstico. No meio religioso reina a ditadura da crença, paradoxalmente dentre aqueles que defendem a democracia.
Aceitar ou não a condição religiosa ou não-religiosa do outro é uma questão de ética. O sentido da vida não é dado e nem revelado sobrenaturalmente. Ele é construído pelo homem dentro do espaço e do tempo. Com isso queremos dizer que as religiões são históricas. Portanto, cada pessoa tem uma experiência de vida. Circunstâncias diferentes levam pessoas a caminhos diferentes. Além dessa herança, existe o poder de decisão, de crer ou não crer.
Com a expressão "sem Deus não somos nada" as pessoas de fé consideram e apresentam todas as razões possíveis de que não crer é terrível, como se fosse impossível um ateu ser bom, feliz e bem realizado. O sentido da vida está muito além da crença e cada pessoa ou grupo desenvolve suas razões para estar no mundo.
O que o crente não percebe é que tanto pessoas de fé quanto ateus são felizes e são infelizes. Depende da vida de cada um e a moralidade é um atributo da razão. Todo homem é racional e está ao seu alcance construir o sentido da vida e optar pelo bem independente de ter fé.
Quando pessoas perdem oportunidade de construir uma boa amizade para discutir preferências sobre fé, eu me lembro da aposta de Pascal: "Se você acredita em Deus e estiver certo, você terá um ganho infinito; se você acredita em Deus e estiver errado, você terá uma perda finita; se você não acredita em Deus e estiver certo, você terá um ganho finito; se você não acredita em Deus e estiver errado, você terá uma perda infinita." Apesar de discordar da insinuação dessa aposta pacaliana, usei o texto para ilustrar que a fé é uma aposta no presente em algo que só pode ser provado no futuro totalmente desconhecido. É uma decisão pessoal. Não há garantias, apesar de insistir o crente que há.
No caso das religiões ditas reveladas é mais difícil aceitar os argumentos da não-existência de Deus porque o crente sustenta que o próprio Deus se revelou e que há um livro sagrado que é testemunho disso. Essa é a fé que ele professa. Histórica também. Mas será assim tão difícil continuar crendo, mas respeitando os que não crêem? Por que essa tentação em estabelecer uma ditadura da fé?
No mundo contemporâneo há espaço para todos e todas as razões são ouvidas. O que não podemos é sermos coniventes com a intolerância. Nunca devemos ser intolerantes a não ser com a intolerância. Nós seres humanos somos uma espécie que é definida pela sua racionalidade (Homo sapiens) e não pela opção de fé. Enfim, respeito é bom e todos gostam. Seria tão bom que crentes respeitassem ateus e ateus respeitassem crentes. Porque, no fundo, todos têm teto de vidro. Somos todos mortais e finitos demais para perdermos tanto tempo em condenar os outros.

 

Poema pra criança

POEMA DO PÉ

Eu sou o pé,
Meu nome é Zé Perequeté,
Meu trabalho é muito puxado,
Além de sustentar o corpo,
Carrego corpo leve e pesado.

Vida de pé é sofrida demais,
Gosto muito de descanso e de banho,
Quando não me lavam fico com chulé,
Quando eu me canso, preciso
de um aconchego que se chama escalda pé.

Tem gente que me trata bem,
Tem gente que se esquece de mim,
Ando descalço por aí e pego bicho-de-pé,
Quando sinto dor, gosto de massagem como cafuné.

Sinceramente, reclamo quando falam bicho-de-pé,
Pé não é lugar desse bicho parasita.
Sabe do que eu mais gosto? É de noite fria!
Quando me põem uma meia quentinha e bem macia.
Este é o poema do pé
que se chama Zé Perequeté.
Não é porque é o pé do Zé,

é o pé de qualquer um que gosta de cafuné e escalda pé.

domingo, 26 de outubro de 2014

Política e Religião

A RELIGIÃO E O PATROCÍNIO DOS SISTEMAS POLÍTICOS

Em todas as eleições nos deparamos com cidadãos que acreditam que determinado partido ou candidato está mais em conformidade com a vontade de Deus do que outros. Nessas eleições, evangélicos preferiram votar em Mariana ou Pastor Everaldo simplesmente por serem da mesma orientação religiosa.
Entre os católicos, os conservadores apostaram em Aécio por causa de sua imagem de pai de família, católico e devoto de Nossa Senhora. Os progressistas votaram em Dilma por causa dos programas sociais. A abertura para discutir o tema do aborto, por exemplo, trouxe muita rejeição para Dilma. A orientação religiosa tem muito peso na hora de votar, independentemente da qualidade do plano de governo.
A questão que levantamos neste artigo é que uma religião patrocinar algum partido ou candidato e incentivar seus seguidores a votar nele é muito arriscado. Se considerarmos os valores cristãos, podemos até dar um palpite sobre qual plano de governo se aproxima mais desse ideal. Mas ainda será uma solução muito arbitrária porque movimentos e grupos cristãos diferentes consideram questões diferentes como prioridade de um governo de orientação cristã.
Outro aspecto que se deve analisar é o desvirtuamento dos planos de governo. Se uma Igreja ou autoridade religiosa aposta todas as fichas no candidato X, exaltando seu plano de governo, e se esse candidato se corrompe, a autoridade religiosa perde muita credibilidade.
Portanto, na democracia nem religião, nem mídia devem patrocinar ideologicamente partidos. O papel da mídia é informar. Se quer se engajar politicamente que cumpra seu papel. O objetivo da religião é orientar moralmente, então, faça isso. Cada instituição deve cumprir o seu papel. Já o engajamento político partidário é função específica dos partidos. É este o princípio da nossa democracia.
O alinhamento entre religião e ideologia política é uma direção muito perigosa. O nome de Deus ainda é uma senha que abre milhões de cérebros para a aceitação de uma ideologia. Temos testemunhos tristes na História. Quando a Igreja se aliou ao Império Romano a partir do século IV só vimos a desmoralização dos cristãos. Mais tarde, o mesmo se deu com os setores conservadores da Igreja que apoiaram as ditaduras na América Latina.
Se cada instituição se contiver em desempenhar o seu papel dentro da sociedade, a democracia ganhará muito com isso. Por outro lado, as ideias defendidas até agora não pretendem engessar a participação política dos cristãos. Aliás, defendemos o contrário, o cristão deve analisar, tomar posição e intervir nos rumos da política. Mas sem essa identificação radical entre Igreja e partido.